Comércio ilusório
''À Vilma Américo Sumbana''
Oh!... Prove...
que o teu tingido corpo de curvaturas negras e decaídas não é mais um comércio nem um estendal esquecido de prazeres.
Agora prove donzela minha
que teus pés, teus olhos, tuas mãos, nossos predicativos não são apenas o ócio dos homens
que teus pés, teus olhos, tuas mãos, nossos predicativos não são apenas o ócio dos homens
Debique para dançarmos a música da liberdade dos nossos corpos esticados na paralela viagem rítmica das nossas vidas
Lambisque para foliarmos na comum escuridão das noites frias da nossa terra
o cruzar solto dos corpos entregues na pertença única de dois homens.
Prove neste paralelo tão agudo das nossas dores e padecimentos que teu genital sexo não é mais um comércio nem ajuste do teu inocente corpo.
Oh! Comércio ilusório!
Que te vale cantar vaidade, secura e a fome dos teus perdidos tempos sobre o baixo ventre dos ares imodestos e pequenos
Que te vale cantar e dançar ao som áspero das luzes vermelhas das barracas e de passeios negros das nossas calçadas para deixar cantar a retina dos clitóris ao sabor de dois soltos espermatozoides da praça.
Os nossos corpos não são negócio!
Juga Ernesto Samuel.
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